Disposições e linguagem
Tradução de Sofia Stein e Desidério Murcho
Petrópolis: Vozes, 2010, 368 pp.
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Nesta obra, um dos filósofos mais influentes do século passado apresenta e explora a sua tese central: a linguagem nada é senão um conjunto de disposições, socialmente inculcadas, para responder a estímulos socialmente observáveis. As noções de significado e os mecanismos de referência terão então de ser explicadas partindo deste ponto de vista. É no decurso dessa tentativa de explicação que Quine discute os problemas que tal perspectiva enfrenta: a impossibilidade da tradução radical, o aparato referencial da nossa linguagem, os problemas semânticos associados à imputação de existência, entre outros. No decorrer desta discussão, Quine rejeita aceitar entidades que considera misteriosas (e.g. proposições, necessidades, significados) mas aceita outras, necessárias para a ciência (e.g. conjuntos).
Sobre o autor
Willard van Orman Quine (1908-2000) foi o filósofo americano mais influente da segunda metade do século XX. A atenção de Quine começou por incidir sobre a lógica matemática, donde resultaram as obras A System of Logistic (1943), Mathematical Logic (1940) e Methods of Logic (1950). Foi com a publicação do conjunto de ensaios que formam o livro From a Logical Point of View (1953) que a sua importância filosófica se tornou largamente reconhecida. A sua reputação consolidou-se com Word and Object (1960), no qual a indeterminação da tradução radical assume pela primeira vez o papel principal. Além das obras já citadas, a sua bibliografia inclui The Ways of Paradox and Other Essays (1966), Ontological Relativity and Other Essays (1969), Philosophy of Logic (1970), The Roots of Reference (1974) e The Time of My Life: An Autobiography (1985).
Índice
Prefácio
- Capítulo I: Linguagem e Verdade
- Começar com coisas comuns
- O empurrão objetivo; ou, e pluribus unum
- A interanimação de frases
- Modos de aprender palavras
- Indícios
- Postulados e verdade
Capítulo II: Tradução e Verdade
- Primeiros passos de tradução radical
- Estímulo e significado de estímulo
- Frases de ocasião. Informação intrusiva
- Frases observacionais
- Sinonímia intrasubjetiva de frases de ocasião
- Sinonímia de termos
- Tradução de conectivas lógicas
- Frases sinônimas e analíticas
- Hipóteses analíticas
- Sobre a incapacidade para percepcionar a indeterminação
Capítulo III: A Ontogénese da Referência
- Palavras e qualidades
- Normas fonéticas
- Referência dividida
- Predicação
- Demonstrativos. Atributivos
- Termos relativos. Quatro fases da referência
- Orações relativas. Termos singulares indefinidos
- Identidade
- Termos abstratos
Capítulo IV: Caprichos da Referência
- Vagueza
- Ambigüidade de termos
- Algumas ambigüidades de sintaxe
- Ambigüidade de âmbito
- Opacidade referencial
- Opacidade e termos indefinidos
- Opacidade em certos verbos
Capítulo V: Arregimentação
- Objetivos e pretensões da arregimentação
- Quantificadores e outros operadores
- Variáveis e opacidade referencial
- Tempo. Confinar termos gerais
- Nomes reinterpretados
- Comentários conciliatórios. Eliminação de termos singulares
- Definição e a vida dupla
Capítulo VI: Evasão da Intensão
- Proposições e frases eternas
- Modalidade
- Proposições como significados
- Para prescindir de objetos intensionais
- Outros objetos para as atitudes
- O padrão dúplice
- Disposições e condicionais
- Um enquadramento para a teoria
Capítulo VII: Decisão Ôntica
- Nominalismo e realismo
- Predileções falsas. Compromisso ôntico
- Entia non grata
- Mitos do limite
- Objetos geométricos
- O par ordenado como paradigma filosófico
- Números, mente e corpo
- Para quê classes?
- Ascensão semântica
Referências bibliográficas
Índice remissivo