Um clássico moderno da estética
Introdução de Aires Almeida
Tradução de Vítor Moura e Desidério Murcho
Lisboa: Gradiva, 2006, 288 pp.
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Esta obra, originalmente publicada em 1968, tornou-se rapidamente um "clássico moderno" da estética filosófica, motivando inclusivamente o desenvolvimento exponencial que a disciplina tem conhecido desde então. Sem abandonar os seus pressupostos a-realistas e nominalistas, Nelson Goodman, aborda de forma profunda e estimulante vários problemas centrais da filosofia da arte: o problema da natureza da representação pictórica realista (recusando a teoria da arte como imitação ou mimesis), o problema mais geral da representação artística, o problema da autenticidade na arte e o papel cognitivo das artes. Abordando não apenas a pintura, a literatura e a música, mas também a dança e a arquitectura, Goodman apresenta uma perspectiva polémica das artes, que urge discutir criticamente.
Do máximo interesse para estudantes de Filosofia, Artes, Arquitectura e Literatura, esta é uma obra central da bibliografia filosófica contemporânea.
"A diferença entre arte e ciência não é a que existe entre sentimento e facto, intuição e inferência, deleite e deliberação, síntese e análise, sensação e cerebração, concreção e abstracção, paixão e acção, mediação e imediação ou verdade e beleza, mas antes uma diferença de dominância de certas características específicas de símbolos." — Nelson Goodman
Como Dewey, Goodman revoltou-se contra o dogma empirista e os dualismos kantianos que compartimentalizaram o pensamento filosófico […] Ao contrário de Dewey, Goodman fornece uma argumentação pormenorizada e incisiva, e mostrou precisamente onde os dogmas e dualismos se desfazem. — Richard Rorty, The Yale Review
Sobre o autor
Nelson Goodman (1906–1998) foi um dos mais importantes filósofos americanos do séc. XX. Conhecido sobretudo pelo seu trabalho relativo ao problema da indução (Facto, Ficção e Previsão, 1954), abordou também temas da metafísica (Modos de Fazer Mundos, 1978) e da filosofia da arte. Partindo do positivismo lógico, Goodman aceita algumas das ideias centrais deste movimento, como o nominalismo (a crença de que não há universais, como a brancura), rejeita outras (como a suposta superioridade da ciência na tarefa de conhecer o mundo) e abraça algumas das consequências mais polémicas desse movimento (o extremo anti-realismo, que declara ser tudo uma construção linguística).
Índice
Introdução à edição portuguesa, de Aires Almeida
Prefácio
Prefácio à segunda edição
Introdução
I — A realidade recriada
- Denotação
- Imitação
- Perspectiva
- Escultura
- Ficções
- Representação-como
- Invenção
- Realismo
- Representação pictórica e descrição
II — O som das imagens
- Uma diferença de domínio
- Uma diferença de direcção
- Exemplificação
- Amostras e etiquetas
- Factos e figuras
- Esquemas
- Transferência
- Modos da metáfora
- Expressão
III — Arte e autenticidade
- A falsificação perfeita
- A resposta
- O infalsificável
- A razão
- Uma tarefa
IV — A teoria da notação
- A função primária
- Requisitos sintácticos
- Composição de caracteres
- Conformidade
- Requisitos semânticos
- Notações
- Relógios e contadores
- Analógico e digital
- Tradução indutiva
- Diagramas, mapas e modelos
V — Partitura, esboço e guião
- Partitura
- Música
- Esboço
- Pintura
- Guião
- Projecção, sinonímia e analiticidade
- Artes literárias
- Bailado
- Arquitectura
VI — Arte e a compreensão
- Imagens e parágrafos
- Procurar e mostrar
- Acção e atitude
- A função do sentimento
- Sintomas do estético
- A questão do mérito
- Arte e a compreensão
Índice de assuntos
Índice de nomes